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Há 376 anos, ao saber, o povo da cidade, que o capitão Ornelas levantara o grito da Independência na Vila da Praia, com sucesso extraordinário e que participando à Câmara de Angra esta se dividira na opinião de o secundar, sentiu-se impaciente, comentando duramente o procedimento dalguns fidalgos que preferiam o sossego e a comodidade de suas quintas e solares, ao perigo duma luta necessária para varrer os castelhanos do domínio desta ilha.



Pelas ruas já alguns homens do povo iam preparando o movimento com provocações aos espanhóis, esperando unicamente que alguém os dirigisse para se lançarem abertamente à luta, secundando Ornelas que se sentia só, numa ilha onde ainda governava a gente de Castela chefiada pelo governador D. Álvaro de Viveiros, senhor do castelo do Monte Brasil, fortaleza inexpugnável.

Todavia, desprezando todos os perigos, insofridos pela irresolução dos grandes, quatro tanoeiros, os irmãos Fernandes, conhecidos pelos «minhas terras», auxiliados pelo fidalgo António do Canto, atacam a guarda castelhana, desarmando-a e referindo-a. Estava iniciado o debate. O que não fizeram ou temeram fazer os fidalgos, fizeram-no quatro homens do povo, cujos nomes a história registou pela designação simples e resumida de «os irmãos Fernandes, os Minhas terras» mas nem por isso deixou de assinalar a sua ação patriótica, apontando-os como os promotores da revolução que terminou pelo encerramento dos espanhóis na fortaleza do Monte Brasil.

In Gervásio Lima, Breviário Açoreano, p. 110, Angra do Heroísmo, Tip. Editora Andrade, 1935.

Cortesia Câmara Municipal de Angra do Heroísmo

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