Terra Chã, 30 de Março Joel Neto Desde há uns meses que, por razões diversas – das quais a vaidade não é a menor, embora eu me tenha habituado a chamar-lhe “intenção de adiar o envelhecimento” –, venho acabando muitos dos meus dias aos saltos num ginásio. Sim: nada disto soa tão romântico como passear os cães pelos pastos, de botas de cano e boina, serpenteando entre os cerrados com um bordão de araçaleiro na mão. Mas há bastante tempo já que estar no campo e na ilha deixou de constituir, para nós, um passeio de privilegiados pela província, um intervalo idílico numa existência essencialmente urbana. É vida mesmo, isto. E um ginásio, nesta fase, respondia melhor às urgências dos físicos sem deixar de se enquadrar no apertado espartilho da nossa rotina de trabalho. De maneira que assim tenho andado, finda a jornada: arrastando-me como um cefalópode, começando a pôr um pé a seguir ao outro, pedalando e correndo já com o peito razoavelmente erguido. De início, sentia-m...
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